1 – Qual o objetivo principal dos autores do texto?
O objetivo principal dos autores do texto era mostrar que a criação da escola aconteceu quando foi dado um novo olhar a infância, e esta deveria ser vivenciada em um local tido como apropriado, a escola e o colégio, que vai preparar-lhe para a convivência social, dentro dos padrões morais estabelecidos.
Foi nesse momento que começava a se configurar os Estados administrativos modernos; a Igreja encontrava-se afetada pelo absolutismo, e pelas divergências e dissidências internas, buscando então formas de intervenção e ação na sociedade, criando diversas estratégias como objetivo de controlar os fiéis. Eram várias as práticas de controle educativa, que afetam as reformas do próprio clero através de normas que buscavam regular suas vidas e costumes.
A Igreja Católica fundou colégios e instituições que preparavam tanto os mestres dos jovens príncipes, como outras instituições caritativas e beneficentes para os filhos dos pobres. As escolas criadas junto às igrejas tinham o intuito de formar jovens menores de 12 anos e torná-los exemplos de pastores de almas.
2 – Explique o interesse das igrejas (a católica romana e as protestantes) após a Reforma em se voltar para a educação da infância. Que métodos foram utilizados? O que se pretendia com essas ações educativas?
Apesar da diferença do homem medieval em relação à idade e tratamento da criança e do jovem, os colégios deste período dedicavam-se à educação e formação da juventude.
Convêm registrar as experiências dos colégios jesuítas, e o modo como tratavam as crianças e a disciplinarização. Os jesuítas influenciaram diretamente não só na concepção européia da escola tradicional, como também na formação educativa no Brasil. A Igreja Católica reagiu fortemente à Reforma protestante preocupando-se como princípios da fé, a supremacia papal, a ênfase na ação da Inquisição e a criação dos seminários. Assim surgiu a Ordem dos Jesuítas, com a rígida disciplina e o objetivo da propagação da fé, combatendo infiéis e hereges. Além de, ainda romperem com práticas habituais de formação da nobreza e com a aprendizagem dos ofícios.
3 – Nos dias de hoje, quais as propostas das igrejas para a formação de crianças e jovens? Como isso acontece em sua comunidade? Que relações mantêm a escola com as propostas de educação mantidas pelas igrejas? Quantas confissões religiosas existem em suas comunidades? Qual o pertencimento religioso de seus alunos?
As Igrejas, e em especial a Igreja Católica, acredita que a provocação mais importante da escola católica é educar para formar alunos conforme ao projeto educativo cristão, e a escola católica procura rebater, aqueles condicionantes que dificultam o autêntico desenvolvimento da formação integral conforme a concebe o humanismo cristão.
A escola católica argumenta em seus documentos que é um direito do aluno e uma exigência da formação integral que o saber religioso e moral, tenha um tratamento equiparável ao resto dos saberes em seu processo educativo, sendo um elemento integrado que harmoniza o sentido da vida e seu ser pessoal.
Os prelados dos documentos assinalam algumas prioridades e urgências entre nas quais se encontram renovar e fortalecer a própria identidade da escola católica. Sendo que junto a esta prioridade enfatiza-se: motivar e formar os membros da comunidade educativa sobre os princípios e valores que suporta a pessoa e mensagem de Jesus Cristo, a participação na celebração de alguns sacramentos, e outros atos litúrgicos, em coordenação com a diocese.
A igreja de nossa comunidade faz um trabalho de comunhão e em parceria com a escola e a associação de moradores. Neste trabalho realizam-se serviços como acolhida e orientação de todas as pessoas, atenção às necessidades básicas (alimentação, vestimenta e moradia), educação em todos os níveis, dedicação de todos à solidariedade e cidadania (centros e cursos de formação da juventude, formação do espírito crítico, serviços especiais em favor dos jovens em situações de risco (drogas)).
A relação mantida entre a escola e as propostas mantidas pela igreja coincidem na busca de uma educação para o relacionamento solidário e fraterno, no reforço e orientação das famílias nas tomadas de iniciativas solidárias em favor das necessidades mais urgentes (HIV, drogas e fome...).
Diante desta junção da Igreja com a comunidade é proporcionando às famílias duas confissões durante o ano, abrangendo o período Pascoal e o período Natalino, salvando assim as eventualidades.
Dentro desta realidade encontramos pessoas de outras religiões, assim como encontro em minha prática pedagógica, sendo que estas são em menor número, predominando a católica.
4 – Segundo as idéias do historiador Philippe Áries, como se deu o surgimento histórico da figura do bebê, da infância, do bambino, da juventude e da adolescência?
BAMBINO E BEBÊ:
Segundo as idéias do historiador Philippe Ariès, o surgimento histórico da figura do bebê, se deu quando começou a surgir um novo interesse por esses pequenos seres. Assim para designar criança pequena, Ariès tomou emprestado da língua italiana o termo bambino. Estas crianças pequenas, ao longo de muitos anos, tocaram os adultos, provocando-lhes vários sentimentos, como apego, raiva, deslumbramento.
Com o tempo, essas palavras passaram a designar criança pequena, mas já esperta. Assim faltando um termo adequado para designar criança durante seus primeiros meses; Ariès tomou emprestado da palavra inglesa baby, que, nos séculos XVI e XVII, designava as crianças em idade escolar. Deu-lhes, a criança bem pequenina o nome de bebê.
INFÂNCIA:
Segundo as idéias de Ariès o surgimento da infância é uma criação da modernidade, mostrando assim que a criança é um ser distinto do adulto, em cujo contexto multiplicou a idéia universal para essa etapa da vida. Fatores econômicos, políticos e educacionais contribuíram para que a categoria infância, que iniciou nos séculos XVI e XVII, se consolidasse no século XVIII. Nessa época, pouco a pouco, as crianças passaram a serem reconhecidas em suas especificidades, começando a serem observadas, paparicadas, mimadas, moralizadas e amadas, nascendo o sentimento moderno da infância.
Acerca desse movimento de separação de gerações que se deu na sociedade burguesa entre os séculos da Renascença e do Iluminismo, fica evidenciado o processo gradativo no qual as crianças vão saindo do mundo adulto, e entrando em um outro mundo criado especialmente para elas. Assim, a população de crianças separadas do universo adulto passou a pertencer à categoria denominada infância, que englobava todas as crianças como iguais, sempre com a mesma caracterização. Trata-se de um momento histórico em que não se falava mais das crianças e sim da infância.
Os estudos históricos sobre a infância de Philippe Áries (1981), vêm mostrando que, a partir do momento em que a criança foi percebida pelas suas características tornou-se objeto de muitas concepções. Segundo esse autor, a concepção de infância, resultou em tendências no pensamento adulto diante das particularidades da criança: ora era vista como fonte de distração, ingenuidade, graciosidade, ora como ser incompleto, a ser moldado à imagem do adulto.
De acordo com o pesquisador Ariès, o século XVIII foi o período que se consolidaram as idéias modernas de infância, reconhecendo-se suas peculiaridades. Esta, então passa a ser encarada como um momento privilegiado da vida, e a criança é identificada como uma pessoa.
ADOLESCÊCIA:
Neste momento a figura do adolescente é delineada com precisão. Este período é delimitado, no menino, como o que se entende entre a primeira comunhão e o bacharelado, e na menina, da primeira comunhão ao casamento. Ao longo de século XIX, a adolescência passa a ser reconhecida como um momento crítico da existência humana. Esta é temida como uma fase de potencialidade e riscos para o próprio indivíduo e para a sociedade como um todo.
A adolescência e distinguida como zona de turbulência e contestação, constituindo-se em uma linha de fraturas e erupções vulcânicas no seio das famílias.
JUVENTUDE:
Ariès desenvolve a idéia de que a juventude é uma invenção moderna, que aparece juntamente com um conjunto de propriedades e particulares entre a vida pública e privada, e a propagação de formas de classificação e hierarquização em substituição a socialização densa que vigorava na sociedade antiga que misturava diferentes classes e faixas etárias. A juventude é isolada num espaço específico de socialização -a escola- que substitui a forma anterior de aprendizagem onde a socialização ocorria no contato direto com o mundo e as atividades dos mais velhos.
A juventude ao ser compreendida como categoria social torna-se, ao mesmo tempo, uma representação sócio-cultural e uma situação social. Ou seja, nos faz pensar que é uma concepção, representação ou criação simbólica fabricada pelos grupos sociais ou pelos próprios indivíduos tido como jovens para significar uma série de comportamentos e atitudes a eles atribuídos.
5 – Lembrando de sua própria infância e juventude, e comparando-a com a infância e a juventude de seus alunos, analise algumas mudanças que ocorreram entre estas gerações. Quais as principais diferenças entre a infância e a juventude de ricos e pobres? Quais as principais diferenças nas trajetórias de infância e de juventude entre meninos e meninas? Quais as diferenças entre estas trajetórias no meio urbano e no meio rural?
Comparando a minha infância e minha juventude com a de meus alunos, percebo várias diferenças entre nossas gerações. Vejo que meus alunos têm uma infância e juventude voltada para a era tecnológica, onde a maior parte deles têm acesso ao mundo virtual, como a internet, passam seu tempo disponível brincando com carrinhos a controle remoto, dvd, computador, bonecas que caminham, celular, mp3, ente outros.
Já em minha época, costumava brincar ao ar livre, com um grupo de amigos e vizinhos, nos reuníamos para brincar de casinha, comidinha utilizando potes de margarina e areia, bonecas com roupinhas de bebê, pula corda, bola, cantigas, esconde-esconde, ovo choco. Não existia cd, era fita e rádio, até os programas televisivos mudaram muito, antes só se ouvia falar em Xuxa, Angélica, e hoje se fala em desenhos animados que retratam a agressividade o preconceito.
Já com relação a minha juventude, ainda estou vivenciando-a, e acredito que estou evoluindo com a modernidade e a tecnologia, assim como meus alunos.
Em nossa sociedade, visualizamos várias diferenças entre as condições sociais de vida de crianças e jovens.
Observamos que os jovens e crianças ricas têm mais acesso a tecnologia, como a internet, brinquedos eletrônicos, cursinhos profissionalizantes, como de pré-vestibular, inglês e espanhol, aulas de piano, natação, balé, academia, centros de estética, etc.
As crianças e jovens que são pobres têm uma realidade justamente contrária a citada acima, tendo uma vida precária, e são obrigadas a trabalharem para ajudar no sustento familiar, onde muitas vezes não têm nem assistência social, como alimentação, moradia, e muito menos dinheiro para prestarem cursinhos. Faltam a elas oportunidades.
Já as crianças podres, geralmente brincam com objetos reciclados, sucatas, brincadeiras ao ar livre com grupinhos de amigos e vizinhos, outras ainda ao compartilhar essa realidade muitas vezes brusca necessitam pedir esmolas, nas ruas e centros urbanos, ficando expostas ao mundo da violência.
Contudo, vemos essas diferenças principalmente na mídia, a violência, o preconceito, a falta de acesso e oportunidades as camadas pobres.
Durante a infância de meninos e meninas, vemos que as meninas são preparadas para os afazeres domésticos e cuidarem dos irmãos mais novos. Quando jovens, vemos com relação ao emprego, que meninas muitas vezes sofrem preconceitos por ocuparem um cargo ou um emprego dito masculino, e recebem uma remuneração menor comparada com a dos meninos.
Acredito, que são apenas essas diferenças, pois as meninas (mulheres) estão conquistando cada vez mais direitos e o espaço na sociedade.
Refletindo sobre a juventude e infância no meio urbano e rural, observamos que no meio urbano estes estão mais sujeitos a violência, como roubo, assalto, apesar de terem maior acesso às coisas, digo com relação à distância, além de terem menor relação entre as pessoas (trancam-se em casa e muitas vezes nem conhecem o seu vizinho).
Enquanto no meio rural os jovens e crianças são “livres” para brincarem, se divertirem, fazerem amizades, ir à casa dos vizinhos, o que é “impossível” fazer na cidade, além de não ter o sossego e o contato com a natureza que encontramos nestas regiões.
Mas, também quem vive no campo, passa mais dificuldades com relação à distância para ir a escola, o trabalho, a falta de oportunidades, é menor a possibilidade de emprego.
Assim sendo, quem vive no meio rural pode gozar tranqüilamente da sua infância e juventude, sem ter que se preocupar com o perigo e a violência que a cidade nos oferece.
6 – Escreva algumas considerações acerca das duas afirmações abaixo, a partir da leitura do texto:
a) a criança deve ser criada entre os adultos o tempo todo, aprendendo diretamente pelo contato com as situações de vida, trabalhando ao lado dos adultos, auxiliando nas tarefas que se apresentam. Cada adulto da comunidade familiar lhe ensinará algumas coisas, conforme sua experiência. Ela deixará de ser criança quando tiver adquirido sua autonomia e independência financeira.
Essa afirmação defende a idéia de que a criança é uma tabula rasa, precisa estar o tempo todo entre os adultos para que possa aprender a partir de suas experiências. Além de defender também a tese de que a infância é uma fase que deve passar rápido, ser eliminada de sua vida, precisa tornar-se adulta o mais breve o possível para que tenha sua independência, tanto no campo financeiro como profissional.
b) a criança deve ser separada dos adultos e mantida numa instituição juntamente com outras crianças, da mesma idade que ela. Neste local ela receberá ensinamentos de profissionais (os professores), a partir de um currículo previamente estabelecido e válido para todas as escolas do país. Somente depois que deixar de ser criança e tiver passado pela escola ela poderá trabalhar.
Esta outra afirmação tem a concepção de que todas as crianças são iguais, possuem as mesmas habilidades, dificuldades e potenciação, e precisão serem passadas por um profissional (professor), que as moldará a partir de um currículo previamente estabelecido e seqüenciado para que estas passem toda sua infância, separadas dos adultos para que estes não venham interferir e ofuscar as idéias estabelecidas pelo único adulto, o professor, que possa interferir e moldar as crianças para a capacitação profissional para enfrentar futuramente o mercado de trabalho.
7 – Escolha na listagem abaixo a característica que você considera mais importante para um professor ou professora, e discuta o porquê de sua escolha. Antes de responder esta questão, leia com atenção o item "formação de um corpo de especialistas" no texto.
b) grande domínio dos conteúdos a serem ensinados;
O texto defende a ideologia de que é muito importante o educador ter um grande domínio dos conteúdos a serem ensinados, e faça uma programação destes a serem passados para os alunos, ressaltando assim os mais precisos e significativos. Não esquecendo de levar em conta a capacitação, as habilidades e dificuldades de cada um deles.
8 – Observe e analise o quadro colocado na página 87 do texto e as discussões que são feitas acerca dele pelos autores, nas páginas adjacentes. Em sua comunidade, quais as principais instâncias de socialização das crianças e jovens? Que posição ocupa a escola, no conjunto destas instâncias?
Em minha comunidade a principal instância de socialização das crianças e jovens, defende a idéia de que estes busquem o programa político que resolva os problemas e questões sociais, voltando-se para uma prática em que perdure o cidadão consciente de seu papel social, respeitando e ajudando o próximo. Sendo um indivíduo ciente de seus valores e direitos, buscando e lutando pelos seus sonhos e por um mundo mais justo.
Assim, a escola procura dar assistência, relevando a valorização do indivíduo e suprindo as necessidades sociais mais precisas, livrando-os do “caminho do mal”.
9 – Escolha uma das afirmativas abaixo, e escreva algumas reflexões sobre ela, manifestando suas opiniões a respeito. Para maior clareza, leia com atenção à parte "institucionalização da escola obrigatória e controle social" do texto.
a) a educação é um dos direitos fundamentais de todos os cidadãos nascidos num certo país.
A partir do momento em que a sociedade passou a observar as crianças e adolescentes como cidadãos com direitos, foi criada a Constituição Federal de 1988, onde consta em um de seus artigos, que todos têm direito a educação.
Este é uma obrigação do Estado e da família, por isso é gratuito o ensino público e oficial, para garantir a igualdade de oportunidades e a permanência na escola.
Esse artigo foi criado com o intuito de salvá-los de todas as formas de negligências, violência, exploração e opressão, que estão sujeitos em nossa sociedade.
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